The Shadow Hunter

The Shadow Hunter
Keep it Simple

terça-feira, 12 de outubro de 2010

A magia está em toda parte, basta eu estar pronto para percebê-la.

Acredito que metade daquela coisa mágica da experiência da poesia está na nossa capacidade de ver as coisas com a mente e o coração abertos.  Esse vídeo é de um brasileiro chamado Jarbas Agnelli e atualmente está concorrendo no concurso YouTube Play, criado pelo YouTube em parceria com o Museu Guggenheim. A ideia principal deste concurso é de premiar os melhores artistas que trabalham na área do video online.

video

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Se Ele fosse uma criança ...

O herói e um garoto conversam perto de uma colina.

    Heroi - Não sei por que estou preso aqui perto de você. Se não fosse um perigo para si mesmo e para o mundo, eu poderia estar ocupado de missões mais gloriosas.

    Garoto - Você é arrogante e estúpido. Não gosto de você. Fica o tempo todo tentando me proibir de fazer o que quero.

    Heroi - Você só faz o que quer para si mesmo. Vê tudo girando ao seu redor. Se você tivesse nascido como eu, não haveria problema. A natureza lhe traria dificuldades que lhe ensinariam a ser consciente e a pensar nas consequências de suas ações. O problema está em que tudo se encontra sob a sua influência. A natureza se curva aos seus desígnios. Se você assim desejar, a realidade se distorce. Eu estou aqui numa missão perdida de tentar evitar que você faça mal ao mundo.  Você deseja mal as outras pessoas?

    Garoto - Não. Não mesmo. Por que eu quereria? Por quê você acha isso?

    Heroi - Eis a questão. Eu sou chamado de herói mas é você que detém o poder. Se você realmente não gostasse de mim, poderia me transformar em pó com um olhar, mas não o faz. Ao contrário, apesar de ficar aí reclamando, não deixa eu me afastar de você. Como se eu fizesse diferença para proteger você, apesar de nada no mundo ser obstáculo para sua vontade.

    Garoto - Eu tenho medo de ficar sozinho.

    Heroi - Eu sei. Eu não vou lhe abandonar. Sei também que você você sequer sabe o que é bem e mal. Depois de tanto tempo nesta missão, vejo que você nunca saberá e que há uma certa coerência nisso.

    Garoto - As vezes eu não entendo o que você diz.

    Herói - (Risos!) Me desculpe. Eu me perdi em meus devaneios.

    Garoto - Você é um homem muito triste. Devia arranjar uma namorada.

    Herói - É mesmo? Eu pareço assim tão triste?

    Garoto - Você está sempre com essa cara de fim de tarde, numa terça feira de chuva fina e fria. Você nunca se queixa, mas eu acho que você se sente sozinho. Por isso acho que uma namorada lhe caberia bem.

    Herói - Eu estou vivendo a maior das gurras em te acompanhar, pois você é um irmão querido e ao mesmo tempo uma ameaça a tudo que existe. Não posso estar seguro de que minhas ações evitarão um desastre. Você não é um inimigo que eu deva lutar contra, golpeando com minha espada. Mas a minha missão é atuar sobre a sua agressividade. Não entendo por que você aprecia o convívio comigo e me escuta a ponto de calar estas vozes selvagens do seu poder.

    Garoto - O que isso tem a ver com você arranjar uma namorada?

    Herói - O carinho e a entrega me cairiam bem sim. Você me vê feliz, com um par que me compreenda e me acolha.  Uma bela moça que com sua ternura cumpra o efeito de me acalmar, de me trazer a paz.

    Garoto - Você é um herói. Você merece a paz.

    Heroi - Para existir sob este nome, a paz jamais fará real parte de minha vida.

    Garoto - Não acredito nisso. Você agora fala como um tolo melancólico. Nós vamos sair daqui e visitar as próximas cidades. Se eu posso curvar os elementos sob minha vontade, posso lhe ser de uma grande ajuda nas tais grandes missões que diz querer fazer. Se eu prometer submeter minhas vontades à sua apreciação, o que você acha de sairmos para agir sobre os males do mundo.

    Heroi - Este foi o erro de minha juventude. Não podemos sair por aí simplesmente interferindo no curso das coisas. Não sabemos as conexões que estão sob o véu dos acontecimentos. Se concordar, sairemos por aí como se eu fosse um homem comum e você um ser humano.

    Garoto - Qual a graça de ser um taumaturgo se não posso exercer a taumaturgia?

    Heroi - A graça está em observar como a natureza, que veio antes de você, faz a parte dela. Ela tem os mesmos poders que você. Graças a ela eu estou aqui. Minha vida está ligada ao seu fluxo. Ela não faz nada de maneira desequilibrada. Para cada raio de luz a uma igual quantidade de sombra. Para que você aprenda a ser como ela, com tudo o que você tem, é preciso que compreenda como agir indiretamente, sem interferir.
    Garoto - Eu não entendi nada do que você disse.

    Heroi - Desculpe. Eu falei as coisas que eu gostaria que você compreendesse, não as coisas que você precisa compreender agora.

    Garoto - Não, não se desculpe. Eu achei interessante. Acho que até fiquei com alguma coisa. O que você quis dizer com "agir indiretamente"?

    Heroi - Tudo ao nosso redor é o momento que nossa percepção reconhece como atual de uma sequência infinita de desdobramentos de ínfimas interações entre elementos e situações. Observe aquela pedra. Ela é duas vezes maior que eu. Você sabe que eu não posso erguê-la e empurrá-la do penhasco, não é?

    Garoto - Sim. Faz sentido. Eu posso, quer ver?

    Herói - NÃO!

    Garoto - Tá, tá bom. Desculpe.

    Herói - (Risos!) Tudo bem. É por que senão você acabaria com meu exemplo.

    Garoto - (Risos!)

    Herói - Como eu is dizendo, e se eu disser que consigo movê-la sem tocar nela e sem usar poderes como o seu?

    Garoto - Eu diria que você bebeu vinho demais e que vai ficar de ressaca.

    Herói - (Caminha até perto da pedra e cava o solo um pouco a frente da rocha até o penhasco)

    Garoto - A pedra não se moveu.

    Herói - Bom, vamos então usar você para apressar as coisas. Peço que por gentileza "apresse" o trabalho daquelas nuvens ali sobre nós?

    Garoto - Fazer chover? Claro, isso é fácil, mas não entendo o que isso tem a ver com a pedra se mover.

    Herói - Uma chuva forte e breve, como aquelas de verão que você gosta. Aguarde e confie.
    Garoto - É pra já!
   
    Uma trovoada. Um vento repentino. Uma chuva torrencial se inicia. A água começa a encher o buraco que o herói fez com as mãos. O buraco vai aumentando, aumentando... até que o solo na frente da pedra não pôde mais segurá-la. Esta então começou a mover-se, lentamente no início, depois a rolar, até que caiu do penhasco.

    Herói - Você ainda acha que eu bebi vinho demais?

    Garoto - Aoh... é que... é...

    Herói - Se você for fazer alguma coisa com o seu poder, faça como plantar uma árvore. Coloque a semente na terra, cubra e coloque água, mas deixe-a crescer sozinha.

    Garoto - Eu não sei o que dizer.

    Herói - Que tal vamos procurar um lugar para nos escondermos da chuva?

    Garoto - Mas eu posso fazê-la parar...

    Herói - (Fita o garoto com um sorriso sereno.)

    Garoto - Tá bom! Nada de contrariar o fluxo.

    E sairam andando na estrada.